Um dos principais fatores que leva muitas cake designer a desistir do seu sonho é não saberem valorizar corretamente o seu trabalho e o seu talento! Esta falta de confiança pode ser originada por várias crenças que têm sobre si mesmas:
- Achar que ainda se está no início…
- Achar que ainda não se domina a maior parte das técnicas de cake design…
- Achar que tem de se vender barato para conseguir clientes…
- Achar que os clientes não vão valorizar o trabalho que é desenvolvido de forma personalizada…
Isso leva a que cobrem preços baixos que não chegam a ser sustentáveis para poderem evoluir no negócio!
No curto prazo este cenário até pode parecer bom, uma vez que o preço baixo atrai clientes e faz parecer que o negócio está a crescer, por ter as vendas a aumentar… Contudo, a longo prazo, um preço baixo em produtos que são personalizados não se demonstra a melhor opção e o que, inevitavelmente, acaba por acontecer é que trabalham para muitas encomendas (mas por preços muito baixos que não dão retorno efetivo).
Então o que é necessário fazer?
Para se construir um negócio é necessário que o valor que recebemos pelo produto vendido seja superior a tudo aquilo que gastamos nele (direta ou indiretamente). Seja em ingredientes, materiais, complementos, adornos, consumos e horas de trabalho.
O que noto com os anos de formação que tenho dado é que falta, na maioria dos casos, capacidade de analisar os custos, os preços, o tempo gasto em cada trabalho. Esta estrutura dá corpo ao negócio e ajuda a cake designer a apurar os custos de forma correta para que eles falem por si e não haja dúvidas de qual é o limite onde deixa de ter retorno e passa a pagar para trabalhar.
Esta é a única forma que conheço de ter mais confiança ao apresentar o preço ao cliente e de ter um preço justo para apresentar (e não um preço baixo)… Desta forma, quebra-se o ciclo de desvalorização em que muitas cake designer supertalentosas se vêm envolvidas… Para evitar permanecer neste ciclo, eis 3 aspetos fundamentais a ter em consideração e colocar em prática, hoje mesmo, no teu negócio de cake design:
1) Cobra pelo teu trabalho
Se trabalhares para alguma empresa, o teu ordenado é fruto do trabalho/horas que estás a produzir. Num negócio próprio, não é diferente. Se estás a fazer um bolo para uma encomenda, estás a dedicar aquele tempo a produzir e por isso, mesmo que seja algo que adoras fazer, está a privar-te de outras coisas nesse tempo, como por exemplo disfrutar de tempo com os teus filhos/família. Por isso faz valer a pena o tempo que não passas com eles… Por outro lado, o tempo que passas a trabalhar num bolo é um tempo que o teu cliente não está a tratar do assunto, por isso, estás a libertá-lo de algo que ele deixa de precisar de fazer e isso é um ganho para ele que obviamente deve ser pago no valor do produto que ele te está a comprar.
2) Tem um sistema de controlo de custos bem definido
Ter um método para orçamentar os bolos de cake design é a forma mais eficaz que conheço de apurar preços justos. Se tens uma forma fidedigna e lógica de fazer as contas então os valores vão falar por si. O “caro” ou “barato” são apenas conceitos com significados diferentes para cada pessoa. Eu posso achar que 50€ por uma calças de ganga é um absurdo, mas como gosto de fazer bolos, talvez 50€ por uma base giratória com qualidade não seja tao caro assim… Mas em ambas as situações o preço é o mesmo: 50€. Eu é que à luz dos meus conceitos de valorização das coisas é que atribuo o significado ao preço. Por isso, quando se tem uma forma de orçamentar/apurar os custos que funciona, ficamos menos sensíveis (enquanto cake designers) a estes conceitos abstratos, porque se apuramos que o preço é 50€, é 50€ e pronto! Deixamos de auto-julgar o nosso preço, porque temos evidências de que estamos a fazer as contas bem e por isso estamos a ser justos no que estamos a propor ao cliente. E isso é, sem dúvida, muito libertador e dá-nos a confiança de cobrar o correto!
3) Apresenta-te com um serviço profissional
Quando te apresentas perante o cliente de forma profissional geras mais confiança e isso faz com que o cliente não esteja tão suscetível ao preço que lhe vais apresentar… Então demonstra profissionalismo (não apenas nas técnicas de decoração e sim no serviço que prestas). Põe-te um passo à frente dos teus concorrentes destacando-te pelo serviço, pelo atendimento, pela apresentação, pelo embrulho, pela confiança com que aconselhas o cliente e o informas de aspetos importantes relativamente à sua compra… Ajuda o teu cliente a perceber que o teu diferencial não é o preço baixo mas sim as várias vantagens/garantias que ele terá em comprar contigo em vez de comprar com outra pessoa! Porque se te destacas apenas pelo preço baixo, vai sempre haver quem faça mais barato!! E entrar nessa guerra do preço é claramente sair a perder! Por isso, aposta num serviço profissional e começa a ver a magia a acontecer no teu negócio!
Quebrar o ciclo está, então, nas tuas mãos!
Como vês, quebrar o ciclo de auto desvalorização está nas tuas mãos! Utiliza as dicas destes pontos que falei em cima e vê como o cenário começa a mudar! Porquê continuar a ter medo de fazer um preço justo? Porquê continuar a ter medo de receber o justo pelo trabalho que desenvolves com tanta dedicação e carinho? Porquê continuar a tentar entrar na guerra do preço se podes fazer diferente e melhor?
